segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Croniconto: A cesta de Natal

*Publicado mesta data em coletiva.net

No almoço de fim de ano da mesa ao lado os convivas foram surpreendidos com a revelação de um deles de que tinha ´presenteado uma Interposta Pessoa com uma cesta de Natal.

- Uma ceeesta de Natal !, reagiram em uníssono os outros comensais.

- Ué, uma cesta de Natal bem sortida, com panettone, figos em calda e tudo o mais. Tinha até uma garrafa de Gotas de Cristal. Qual é o problema?

- Cesta de Natal é presente que se dê a uma Interposta Pessoa?! Indignou-se a senhora que sentava ao lado do rapaz, que já dava sinais de constrangimento.

Seguiu-se um amplificado debate, comandado pelo naipe feminino, enquanto os homens evitam prestar solidariedade ao companheiro em desgraça.

- Se ao menos tivesse na cesta uma calcinha comestível, - opinou uma.

- Ou uma champanhe francesa, - acrescentou outra.

- Eu só aceitaria se a tal cesta viesse acompanhada de uma joia, - sentenciou uma terceira.

Depois dessa, não havia mais espaço para outras sugestões e a pauta derivou  para questões menos instigantes.

No dia seguinte, a moça  que dera a sugestão da joia recebeu na repartição onde trabalhavam uma cesta com um par de brincos. Belos brincos numa embalagem acolchoada. E desde então pairou um mistério sobre qual dos três participantes masculinos da mesa fizera a declaração amorosa em forma de uma cesta de mimosuras na repartição.

Todos estavam errados nas especulações, menos uma, nutria uma paixão secreta pela colega, plenamente aceitável nestes tempos de celebração de todas as formas de amor.

- Viva a diversidade. Te amo,- teria  escrito no cartão que acompanhava a cesta.

- Ainda bem que foste tu,- festejou a amiga. Não consigo me imaginar tendo um caso com alguém do nosso time masculino, bando de babacas.

E a partir de então viveram felizes na diversidade para sempre.

*Aproveito o espaço para desejar a todos um Natal e um ano novo de reencontros e muitos abraços, daqueles que estavam reprimidos. E se receberem uma cesta natalina que seja repleta de mimos e sem controvérsias.  Venha logo 2022 e que seja um ano redentor.

 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

REFLEXÕES E ALGUMAS BOBAGENS PARA A QUARTA-FEIRA

1.Dia de grandes emoções com a presença do Véio da Havan na CPI, Brasil x Argentina no mundial de futsal, o Flamengo nas semifinais da Libertadores, Brasil de Pelotas x  Brusque pela Série B, as artimanhas do Comendador na novela Império...

1.1.O Circo vai pegar fogo! Haja coração!

2.Que Nova Mãe de Todas as Batalhas! Véio de Havan x Renan/Aziz/Randolfe. 3 em 1.

2.1.Aposto que será o Randolfe a ter o primeiro faniquito.

3.E na sexta-feira, mais uma chance para mimos em  forma de vinhos de boa cepa: é o Dia do Idoso.

3.1.Aguardo ansioso pela generosidade dos amigos.

4.Ouvi na rádio: “Cão comunitário” como nova designação para os Vira-latas.

4.1.É o politicamente correto chegando ao reino animal.

4.2.Parece que os Cães Comunitários ficaram exibidos e até estão latindo diferente.

4.3.Os mais exibidos  querem ser chamados de Pet Comunitário ou até mesmo de Dog Community.

4.4.Aquele filme da Disney vai trocar de nome também: agora será A Dama e o Cão Comunitário.

5.Prestem atenção no empenho do legislativo gaúcho no combate aos privilégios das elites do funcionalismo.

6.Só que os privilegiados não se constrangem em reivindicar novas benesses. Duro neles, senhores deputades.

7.Enquanto isso, os  professores estão sem reajuste há dois anos ou mais.

8.Parem com essa bobagem de mudar o Laçador de lugar. O lugar dele é na entrada da cidade, saudando quem entra e quem sai.

9.Meninos, eu vi: ministra Carmen Lucia participando de live sobre liberação da maconha, num quadro enfeitado pelas inconfundíveis folhas de cannabis.

9.1.Mas não acredito que a douta  e  recatada ministra seja adepta de dar um pega de vez em quando.

9.2.O mais incrível foi a manifestação dela, livrando a cara de eventuais “vendedores” de drogas que aleguem que estavam vendendo para “poder adquirir para meu uso”.

9.3. Só falta ser criado o Traficante do Bem ou o Traficante Carente, com direito até a um Sindicato da categoria.

10.Na questão do preço dos combustíveis, tem analistas mais preocupados com os acionistas da Petrobrás do que com a população toda que precisa dos produtos.

11. Esportiva: e o Atlético-MG, hein!, Será que vai mordido contra os Vermelhos ou o Galo chegará de crista baixo?

12.A volta do horário de verão: assino embaixo!

13.Das bobagens alheias: “Se você cair, eu estarei lá!” (O Chão)

sábado, 11 de setembro de 2021

REFLEXÕES LIGEIRAS SOBRE O 7 DE SETEMBRO: OS DIAS SEGUINTES.

   Não sei porque lembrei hoje de um dito do Barão de Itararé: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada.”

2.      Se houve negociações entre as partes no episódio de quinta-feira, é lícito pensar que Bolsonaro colocou no pacote o futuro dos filhos.

3.      Da série Pensei Que Não Ia Viver Para Ver: Bolsonaro ser chamado de “frouxo” e “cagão”.

4.      Zé Trovão vai passar a ser conhecido como Viúva Porcina - aquela que foi sem nunca ter sido.

5.      Crise x Oportunidade: Temer estava desempregado, agora é muito requisitado para redigir notas oficiais e comunicados.

5.1.Virou Ghost Writer Geral da nação. (Inspirado em N.S.)

6.      Da Postagem ao Lado: Joe Biden ligando ao Temer para se aconselhar sobre o que fazer no Afeganistão.

7.      Temer é o autêntico “quem é vivo, sempre aparece”.

8.      O ex-presidente colocou suas digitais na Carta à Nação quando trata Alexandre de Moraes de “jurista e professor”.

9.      Remember que Bolsonaro havia tratado o mesmo personagem de “canalha”.

9.1. Se bem que nada impede de um canalha ser jurista e professor...

10. Duas forças atuantes que poderiam virar partidos políticos: Partido dos Colunistas contra Bolsonaro (PCcB) e Partido dos Caminhoneiros Pró-Bolsonaro Arrependidos (PCpBA).

11. Os bolsonaristas mais convictos são aqueles que tratam o presidente pelo nome completo: Jair Messias Bolsonaro. Confiram.

12. Reina grande expectativa para o tamanho da manifestação organizada pelo MBL, amanhã.

13. Vai ter o reforço do Partido Novo, uma Kombi lotada.

14. A comparação com a mobilização bolsonarista do 7 de setembro será inevitável.

14.1. Se for muito mixuruca vai fortalecer de novo Bolsonaro.

15. E o Nhonho, hein?! Deitando falação lá de São Paulo.

16.1. Deve  estar com uma saudade danada do tempo em que tinha espaço cativo no JN.

16.2. Espaço ocupado agora por Renan Calheiros, com seus gestos, olhares e sotaques nas sessões da CPI.

17. CPI, a propósito, se energizando para voltar ao ataque na semana que vem e recuperar o tempo e os holofotes perdidos nesta semana.

18. Cá entre nós: o que esperar de uma CPI comandada por dois fichas sujas e um histérico?

19. A presença  do Bolsonaro levou mais gente à Expointer do que os bois e vacas.

20.. Voltamos  qualquer hora em edição extraordinária.

DICA DE SÁBADO –

Inauguração de um novo ponto comercial em Porto Alegre e não é uma farmácia São João. É uma LIVRARIA!!! A Livraria CORALINA, no  térreo da Galeria Chaves, será inaugurada neste sábado às 10 h. Mais um empreendimento do Pepe, um militante do livro. O livro AGORA JÁ POSSO REVELAR pode ser encontrado naquele espaço, na prateleira da frente.

sábado, 3 de julho de 2021

Folhetim: A MOÇA DO SUPERMERCADO - Final

Adalbertinho entrou em profunda depressão porque sua musa desaparecera sem  deixar vestígios.. A vida já não tinha mais sentido para ele, nada mais interessava, a não ser descobrir o que acontecera com Alexia e imaginar que era questão de tempo reencontrá-la. Por isso, vagava como um zumbi nos locais em que tinha certeza  de estivera com ela. Quase andrajoso como o motoboy que tanto execrara, circulava com o olhar fixo pelo supermercado sob a presença vigilante do Naldo, pela parada de ônibus onde avistava as outras moças que atendiam nas caixas, nas proximidades da casa na vila, mas só a família do Carlão aparecia no pátio, no restaurante onde brindaram com espumante antes dela capitular. Alexia, porém, não se materializava.

A ausência dela doía fisicamente e mais ainda quando lembrava da noite da conquista, a desinibição da moça, a entrega total com ela no comando. Impossível aquela intimidade toda ter sido apenas um sonho. Já sonhara antes com a moça, mas dessa vez tinha sido diferente, ela dividira a cama com ele, tinha certeza.

Nas andanças, já erráticas, em busca de uma Alexia que se perdera no tempo, acabou deparando com o letreiro que parecia atrai-lo: Tattoo Shop. Uma porta antiga se abria para uma sala pouco mais do que minúscula, adornada por  ilustrações de tatuagens. A um canto ganhava destaque um vaso com o que parecia conter um pé de maconha, já taludo. O cheio da erva infestava o ambiente.

Com certeza, aquele não era o melhor espaço para ele perpetuar uma lembrança de Alexia, mas havia algo que o seduzia ali. Talvez encontrasse na bagunça do  recinto, pouco iluminado e cheirando  a  cannabis, a solução para o mistério do desaparecimento da sua amada.   Então decidiu: ´precisava tatuar a palavra  Rapaki, a paixão dos gregos,  da mesma forma como aparecia em Alexia e na mãe Suellen, no  caso dele acima dos mamilos. Tinha a sensação de que fora guiado por  uma força, da qual não podia resistir, primeiro para aquela região, que nunca frequentara, e depois para este cubículo infecto.. Acreditava que havia  um desígnio a ser cumprido. Eis que surge de trás de um biombo um cabeludo, que lembrava Bob Marley, de óculos de sol na penumbra e acompanhado de um alongado cigarro de maconha.

- O que quê o bródi tá procurando?

- Rapaki, quero tatuar Rapaki,- respondeu o professor, quase entorpecido pela névoa maconheira.

- Mas que coisa interessante: o bródi aí é a terceira gente que pede essa tatuagem. Uma mulher e uma garota muito bonitas, acho que mãe e filha, pediram a mesma coisa, tempos atrás.

Por efeito das baforadas do tatuador e pela revelação que acabara de ouvir, o professor ficou um tanto nauseado e visivelmente abalado, precisando ser amparado pelo Bob Marley fake.

- Corta!, gritou o diretor de cena. ”Ficou ótimo. Pode copiar.”

(Inspirado no final de Dor e Gloria, de Pedro Almodóvar)

 

 

sábado, 19 de junho de 2021

Folhetim: A moça do supermercado - Capítulo 15

 * Inspirado em fatos quase verdadeiros

O jantar de aniversário, acompanhado de espumante rosê, fizera o efeito desejado. Alexia agora trocava carícias no carro, a caminho do apartamento do professor. Como era uma estreia, ele  teve o cuidado de ingerir, ainda no restaurante, um  aditivo, aquela pílula azul, que guardara zelosamente para a ocasião. Estava a mil e a moça também. A entrada no apartamento foi como nos filmes, muito agarramento desde a porta e roupas sendo descartadas pelo  corredor rumo ao quarto.

Chegaram já sem roupa  junto a cama, excitadíssimos e tudo o que ele imaginara era realidade: estava diante de uma obra de arte em forma de 19 aninhos de mulher. Nem precisaria de aditivo, mas temia que a ansiedade pela espera desse momento pudesse afetar seu desempenho. 

Alexia estava ali, junto dele, disponível, pronta para realizar todas as suas fantasias. O corpo, bem esculpido, era moreno e acima dos seios firmes sobressaia-se a tatuagem icônica, Rapaki e foi por ela que o professor começou a cobri-la de beijos, enquanto falava baixinho: “Parece que estou sonhando, parece que estou sonhando.”

Em meio a excitação, ela fez apenas uma exigência: que usasse camisinha. Depois disso, a entrega foi total.

- Agora vou mostrar como sei fazer coisas que nem dá pra imaginar!,- avisou.

Então, assumiu ela como professora, comandando todas as ações e posições, diante de um aluno surpreso com a desenvoltura dela, mas plenamente satisfeito com as iniciativas. “Parece que estou sonhando”, repetia.

- Vamos de novo?!- pediu ela.

Sim, a noite era criança.